sábado, 19 de janeiro de 2013

Sobre o olhar oblíquo





Não faz muitos dias, Louis Aragon fez-me observar que a insígnia de um hotel de Porville, com as palavras Maison Rouge em caracteres vermelhos tinha as letras compostas de tal maneira e distribuídas de tal forma que, numa certa obliqüidade, vindo-se da rua, a palavra ‘Maison’ se apagava e podia-se ler ‘POLICE’ no lugar de ‘ROUGE’” (Nadja, André Breton)


Paralaxe é uma noção astronômica, ou seja, pela ilusão que um astro provoca quanto a sua localização, pode-se calcular outras órbitas de outros astros invisíveis. Explicação de leigo, muito mais metáfora que ciência. De qualquer forma, paralaxe é um “método”, mas um método que se vale de um caminho torto, oblíquo, de um des-caminho. O método moderno de compreensão do mundo é cientifico, interessa, assim, a clareza e a menor distância para se chegar a alguma coisa que podemos, por fim, guardar no bolso com o nome de ‘verdade’. A paralaxe pode ser uma outra verdade que se inscreve no mesmo e não se guarda no bolso, pois nos escapa tão logo se mostra para nós. 

(Estou com medo do Terteão!)

5 comentários:

  1. Hummm... Papo cabeça. Terteão fica injuriado...

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  2. Que mesóclise mais mal humorada...nem um papinho cabeça de sábado antes do almoço?

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  3. Mal-humorado? Marco Antônio? Não acredito!

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  4. Passa por aqui, joga duas ou três palavras, e nada de colaboração. Humpf!

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  5. "Ana Silva" e suas obsessões etimológicas...

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