sábado, 23 de março de 2013

Váiqui...

Não sei se paralaxe marco-pitiana ou mera ignorância vocabular, mas segue o caso.

Revisora de um sítio de notícias em Campo Grande, certa feita deparei-me com o texto de uma jovem jornalista: "O professor Emérito ministrou a palestra na Universidade X." Imediatamente liguei para a sala da moça, avisando-a: - Faltou o nome do professor. E ela: - Está lá: professor Emérito, o nome dele é Emérito. 


Fiquei alguns segundos em silêncio. Então, só consegui dizer: - Não é. Pesquise o nome correto, por favor. Não conferi, não dava tempo, a revisão era feita imediatamente, on-line, notícias a cada minuto (aliás, um projeto que não deu certo, diga-se. Jornalista tem de ter texto final, não é? O fim do copy-desk).


Algum tempo depois, lembrei-me. Em Campo Grande, havia um vereador (não sei o que é feito de sua carreira política) de nome Edil. Edil Albuquerque, para quem quiser verificar.


Certo que não se trata de sinonímia, mas vai que o professor se chamava mesmo Emérito?

quarta-feira, 13 de março de 2013

Carpir

Quando menina, ouvi falar das mulheres carpideiras do Nordeste. Imaginei camponesas com enxadas na mão. Não conseguia imaginar o que faziam nos enterros. Será que elas limpavam o terreno para enterrar o morto?

Alguns dicionários dão "carpir" no sentido de "capinar" como um brasileirismo. Em português de Portugal sempre teve o significado de prantear. Mas carpir vem do latim carpere, colher, arrancar, daí a analogia com "arrancar os cabelos por sofrimento e desespero". Então, tá certo, as mulheres carpideiras vão chorar o morto e arrancar o capim.

E a profissão de carpideira é antiga, data de antes de Cristo. Há mais de dois mil anos a função da mulher é chorar.