Por ora, não terteio; tartamudeio.
sábado, 19 de janeiro de 2013
Sobre o olhar oblíquo
“Não faz muitos dias, Louis Aragon fez-me observar que a insígnia de um
hotel de Porville, com as palavras Maison Rouge em caracteres vermelhos tinha
as letras compostas de tal maneira e distribuídas de tal forma que, numa certa
obliqüidade, vindo-se da rua, a palavra ‘Maison’ se apagava e podia-se ler ‘POLICE’
no lugar de ‘ROUGE’” (Nadja,
André Breton)
Paralaxe é uma noção astronômica, ou seja, pela ilusão que
um astro provoca quanto a sua localização, pode-se calcular outras órbitas de
outros astros invisíveis. Explicação de leigo, muito mais metáfora que ciência.
De qualquer forma, paralaxe é um “método”, mas um método que se vale de um
caminho torto, oblíquo, de um des-caminho. O método moderno de compreensão do
mundo é cientifico, interessa, assim, a clareza e a menor distância para se
chegar a alguma coisa que podemos, por fim, guardar no bolso com o nome de ‘verdade’.
A paralaxe pode ser uma outra verdade que se inscreve no mesmo e não se guarda no bolso, pois nos escapa tão logo se mostra para nós.
(Estou com medo do Terteão!)
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Mangas torturadas
Tenho certa fixação por mangas, essas frutas carnudas e sensuais. Lá pelo final dos anos 70, eu já nem era tão jovem, cismei de entender os versos de O bêbado e a equilibrista (E nuvens /Lá no mata-borrão do céu/ Chupavam manchas torturadas/Que sufoco!) como "chupavam mangas torturadas". Mangas torturadas são facilmente encontráveis nas feiras, nas ruas, oras. Anos mais tarde, encasquetei com a expressão popular "é o cão chupando manga". Seria este cão o Tinhoso, o inominável, o Terteão? Ou seria apenas um pobre quadrúpede tentando emborcar uma escorreguenta fruta? Mais tarde ainda, quase tive o mesmo destino do filósofo do asno e do figo ao, passeando pelas ruelas de Soure, na Ilha do Marajó, ver um búfalo chupando manga. Estaria, por acaso, a mangar de mim?
sábado, 12 de janeiro de 2013
Terteão, eh, Terteão. Mas que diabos quer dizer Terteão?
Está lá em Infância, do Velho Graça:
“A preguiça é a chave da pobreza – Quem não ouve conselhos raras vezes acerta – Fala pouco e bem: ter-te-ão por alguém.”
Esse Terteão para mim era um homem, e não pude saber que fazia ele na página final da carta. As outras folhas se desprendiam, restavam-me as linhas em negrito, resumo da ciência anunciada por meu pai.
- Mocinha, quem é Terteão?
Mocinha estranhou a pergunta. Não havia pensado que Terteão fosse homem. Talvez fosse. "
Terteão, figura sinistra amoitada no final da frase, será aqui uma paralaxe linguística, mote para nossas paralaxes do entendimento. Que venham as próximas.
“A preguiça é a chave da pobreza – Quem não ouve conselhos raras vezes acerta – Fala pouco e bem: ter-te-ão por alguém.”
Esse Terteão para mim era um homem, e não pude saber que fazia ele na página final da carta. As outras folhas se desprendiam, restavam-me as linhas em negrito, resumo da ciência anunciada por meu pai.
- Mocinha, quem é Terteão?
Mocinha estranhou a pergunta. Não havia pensado que Terteão fosse homem. Talvez fosse. "
Terteão, figura sinistra amoitada no final da frase, será aqui uma paralaxe linguística, mote para nossas paralaxes do entendimento. Que venham as próximas.
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